Tão grandes e tão medíocres...
por Adriano Costa
O curso de Jornalismo da UFRN é o segundo mais antigo do nordeste e
formou os que são hoje os grandes nomes da imprensa norte-rio-grandense.
Por seus bancos passaram também nomes que atuam no Brasil inteiro e até
no exterior. Os professores deste curso são alguns dos mais experientes
do Estado, qualidade reconhecida inclusive pelo MEC. Mas nem sempre é
proveitoso lamber a cria, isto é, os "progenitores intelectuais". É melhor
mostrar os defeitos, as partes agudas que longe de incomodar os medíocres
ou os corruptos que infectam este Estado, ferem as pessoas de espírito
e capazes.
O curso de Jornalismo da UFRN está basicamente dividido em dois grupos:
os professores assim ditos teóricos (acadêmicos) e os práticos (aqueles
que também estão no mercado). Dentre eles ainda há uma complicadíssima
teia de intrigas, richas pessoais, interesses e picuinhas de toda espécie,
muitas das quais muito além da imaginação daqueles que participam do Programa
do Ratinho.
Longe de ser enriquecedora, como as batalhas travadas no campo das idéias
dentro do Departamento de Filosofia, a guerra suja dentro do DECOM só
faz dividir e ressentir cada um dos exércitos.
Ao despirem-se das becas ou do altar das superintendências dos órgãos
comunicação, alguns professores mostram seu lado criança mimada, moleque
e não fazem jus ao saber que possuem.
É preciso esclarecer que ao mesmo tempo que a produção acadêmica é inútil
sem divulgação, a imprensa local poderia se beneficiar muito com as pesquisas
feitas na universidade. Não só em termos de conteúdo, mas também no que
se diz respeito à compreensão do público. Tal e qual a indústria farmacêutica
se beneficia com o que é descoberto nos laboratórios universitários de
Farmácia.
Os professores "acadêmicistas" acusam os práticos de formarem verdadeiros
zumbis da imprensa sem espírito crítico que num estalar de dedos ressuscitam
e vão fazer matérias bem investigativas, como buracos de ruas e brigas
de comadres sem ousar qualquer matéria sobre àquele político viciado em
peculato. Já os professores do mercado reclamam que Departamento não oferece
laboratórios adequados a necessária prática dos alunos e que por isso
eles costumam empregar estagiários, ato ilegal, diga-se de passagem. Aos
estudantes só resta concordar com Guimarães Rosa quando disse que "na
panela do pobre tudo é tempero" e se resignar a aceitar uma vaga de estágio
na imprensa local, onde aprenderão dentre outras coisas, o que quer dizer
aquela história da exploração do homem pelo homem. Os estudantes se submetem
a isto porque esta é a única forma de praticar e, com sorte, ainda ganhar
algum dinheiro. No dia seguinte dormem na sala de aula até os academicistas
puxarem-lhes a orelha.
Tudo bem... cada macaco no seu galho, mas se o macaco não pular de galho
em galho ele morre de fome. Os dois grupos atuam em áreas diferentes mas
se complementam. O academicismo puro não tem sentido e pelo contrário,
a prática sem teoria transforma um futuro jornalista em joão-de-barro,
aquele pássaro que sempre constrói sua casinha da mesma forma sem ter,
evidentemente, qualquer reflexão sobre o ato de construir.
Os estudantes precisam se fazer ouvir, principalmente pelos "cardeais",
os professores que dão sustentação eleitoral e ideológica aos que afundam
o curso. Discordar em silêncio não adianta. Nossa paciência está a se
esvair e já está na hora destes namorados briguentos, acadêmicos e práticos,
se acertarem ou cada um que escolha por qual via da UFRN desejam sair.
Ainda bem que a estabilidade do funcionalismo público acabou, pois os
cínicos não farão a menor falta.
Maio de 2001
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