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Tudo isso não nos faz mal educados, afinal não somos
uma daquelas típicas cidades do sul do Brasil de colonização
estrangeira. Antes que a coisa se complique mais, é melhor
que saia da cidade sem nem mesmo dizer adéu. Sim,
como você já deve estar adivinhando, nós não
falamos catalão. Guarde, por favor, seu català
para àqueles da cidade homônima; leitores de Joanot
Martorell, de onde Joan Miró dava suas pinceladas e onde
se come muita escudella i carn d'olla ou se bebe tarragona
o tempo todo. |
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Na verdade, nós somos tão lusófonos quanto se é qualquer município sertanejo que se preze. Mas nosso vocabulário é especial, porque nele um filólogo é capaz de perceber verdadeiros "artefatos de arqueologia lingüística", que não chegam a ser fósseis porque nós os mantemos vivos no nosso dia-a-dia. O que são hoje resistências do português arcaico chegaram junto com os colonizadores e foram preservadas pelas populações rurais e incultas do sertão brasileiro. Imune aos modismos e a subserviência cultural das metrópoles, eles conservaram o falar português da Idade Média. Muitas destas expressões, inclusive, foram usadas por Luis de Camões, Padre Antônio Vieira e Gil Vicente em suas obras. Muitos dos costumes e do vocabulário do sertão evocam muito a Europa ibérica, sobretudo a camponesa e medieval. À seguir confira um pequeno dicionário de expressões arcaicas historicamente usadas no municipío de Barcelona/RN. Nem todos os termos usados no nordeste brasileiro são utilizados em Barcelona. Muitas das usadas, inclusive, têm seu sentido completamente diferente daquelas empregadas em outros Estados e até cidades próximas. |
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Objetivos
Essa é uma contribuição do Portal virtual Barcelona para a revivificação do português antigo e das expressões nordestinas.
Toda língua é um espelho de especiais estruturas racionais
e de tradições culturais cujo declínio também
se dá uma dissolução parcelada de toda sorte de possibilidades
comunicativas e cognitivas do ser humano.
| Se você é nordestino... |
Se você não é nordestino... |
| Fale
nossos regionalismos em todo lugar. Não sinta vergonha deles.
É nosso direito. É um ato de solidariedade, de auto-estima e de respeito a nossa cultura. Além disso, é um ato de dignidade pessoal e coletiva que ajuda a aumentar a presença da nossa cultura popular nos setores da sociedade onde os regionalismos ainda não são encarados com toda normalidade. Quanto mais nós os usamos, mais visibilidade eles ganham. Isso depende de nós. |
Se
você é de outra parte do Brasil e pretende ir morar
ou já está no Nordeste, aprenda a falar regionalismos.
Não há por que não fazê-lo. O nosso vocabulário regional diz muito sobre como vemos o mundo, bem como sobre os nossos valores. Você com certeza passará a nos entender melhor. Não encare isso como uma renúncia a sua identidade. Ao contrário, é uma boa maneira de se integrar a sua nova cultura e sociedade. A que você escolheu para viver. E nós, nordestinos, saberemos como retribuir. |
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